O secretário de Estado da Conservação da Natureza e do Ordenamento do Território, João Paulo Catarino, esteve em Figueiró dos Vinhos no passado dia 23 de junho para efetuar uma visita de trabalho às obras em curso no Posto Aquícola de Campelo. Trata-se de um projeto que contempla a criação de trutas assilvestradas e inclui ainda a criação de um centro interpretativo. O investimento é ligeiramente superior a 1 milhão de euros, com financiamento europeu de 75%.
Um título
Na ocasião, o governante ouviu as explicações técnicas dos professores Carlos Alexandre, da Universidade de Évora e Alexandra Moreira, da Universidade de Aveiro, entidades parceiras no projeto “CRER – Adaptação do Posto Aquícola de Campelo para Criação Experimental de Trutas Assilvestradas”, aprovado pelo MAR 2020, no âmbito do ALJIA – Plano de Desenvolvimento Integrado da Ribeira de Alge. O docente de Évora explicação as várias fases de adaptação daquele espaço “para a produção, gestão e conservação de trutas, com vista ao posterior repovoamento sustentável dos cursos de água da região”, no caso a ribeira de Alge.Os estudos científicos que sustentam o projeto, da responsabilidade da Universidade de Évora e do MARE-Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, têm sido efetuados por investigadores que têm monitorizado o estado atual das populações de truta-de-rio e do respetivo habitat ao longo da ribeira de Alge. Esses estudos baseiam-se na realização de amostragens de trutas, com recurso a pesca elétrica, em 15 estações situadas entre a povoação de Alge, a confluência da ribeira com a albufeira de Castelo de Bode, na avaliação do ‘habitat’ e de eventuais condicionantes à sobrevivência das trutas nesta área. Ao mesmo tempo, pretende avaliar o comportamento destes animais na ribeira de Alge, através da marcação de trutas com radiotransmissores que permitem a sua localização ao longo na ribeira.
Em Campelo, estão a ser construídos todos os tanques e instalados os equipamentos que no final do presente ano já devem começar a laborar. E segundo Carlos Alexandre, preconiza-se uma criação de trutas “diferente”, com técnicas que possibilitem “melhores resultados” em termos de sobrevivência da espécie. O docente não tem dúvidas de que em Campelo vai nascer um espaço “único no país” pela sua especificidade e lançou o alerta para que as entidades possam efetuar uma melhor fiscalização à pesca ilegal, sob pena dos resultados do projeto não sortirem o efeito desejado.
Centro Interpretativo
Inserido no mesmo equipamento vai nascer também um Centro Interpretativo, num edifício propriedade do ICNF e cedido por protocolo à autarquia. A execução está a cargo da Universidade de Aveiro, cuja docente Alexandra Moreira explicou os vários espaços que vai integrar. Será “um espaço de visitação para estudantes, turistas e restante comunidade, que terá uma componente pedagógica e de divulgação ambiental”, onde não faltarão as novas tecnologias.
Preservar a biodiversidade
Já depois do presidente da Câmara Jorge Abreu ter destacado os méritos do projeto e o “impacto positivo” que espera para o concelho, o secretário de Estado alinhou pelo mesmo diapasão, elogiando também as “parcerias de sucesso”. “A autarquia soube-se rodear-se dos agentes adequados para trazer o conhecimento ao território”, afirmou João Paulo Catarino, confiante de que nascerá ali “um polo de desenvolvimento e atratividade ao território”. E destacou também o facto da autarquia utilizar os “ativos diferenciadores – recursos naturais” para “atrair pessoas e gerar riqueza”.O governante enalteceu depois o esforço que o seu ministério tem feito no apoio ao restauro dos eco-sistemas, elegendo as perdas na biodiversidade como a principal preocupação. Catarino disse que as principais políticas neste setor nos próximos tempos, terão de passar cada vez mais “pela preservação dos recursos autóctones”.